Seleção de espécies vegetais para pelotização de sementes com aplicabilidade na recuperação de áreas degradadas pela mineração.

Maria Lucia Solera

Resumo

A recuperação de áreas degradadas resultantes de atividades minerárias, pode ser considerada uma etapa complexa devido à variedade de cenários de degradação observados, muitos deles desafiadores. Os custos dos métodos convencionais de recuperação, fundamentados no plantio de mudas, são elevados por dependerem, dentre outros, do estabelecimento de viveiro próprio, envolvendo custos relacionados à sua instalação e manutenção, à própria produção de mudas e ao plantio, que incluem custos de construção do viveiro, aquisição de insumos, mão de obra para plantio e manutenção, bem como custos do frete para transporte das mudas. Entendendo que os custos da recuperação são elevados, podendo os mesmos ser evitados utilizando soluções sustentáveis e, diante da grande quantidade de espécies utilizadas para recuperação de áreas degradadas, este artigo apresenta o processo de seleção de espécies vegetais com potencial para pelotização de sementes, buscando a germinação direta na área degradada a ser recuperada. Para tal, considerou-se a semeadura manual e/ou mecanizada, visando à aplicação das pelotas em taludes de corte e/ ou áreas de reflorestamento, de modo a racionalizar o processo da recuperação e favorecer sua efetividade, com impacto positivo nos custos envolvidos. O processo de seleção identificou seis espécies vegetais, com diferentes características, consideradas potenciais para pelotização: duas arbóreas – Cassia ferruginea e Schinus terebinthifolia; dois subarbustos – Lepidaploa aurea e Stylosanthes sp.; uma herbácea – Echinolaena inflexa e uma arbustiva Crotalaria spectabilis. A seleção destas espécies permitiu combinações entre as espécies no processo de pelotização, garantindo a diversidade estrutural e funcional no caso de múltiplas sementes por pelota.

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