Emissão de material particulado (MP) na queima de óleo combustível nacional

Renato Vergnhanini Filho

Resumo

Os óleos combustíveis utilizados no Brasil são comumente chamados de “ultraviscosos” devido ao fato de possuírem viscosidade bem superior aos utilizados em outros países. O emprego desses óleos em equipamentos de combustão convencionais (fornos e caldeiras) tem alta propensão à emissão de poluentes atmosféricos, em particular, de material particulado (MP). O MP emitido é, basicamente, orgânico e constitui-se de uma parcela menor de partículas de pequeno diâmetro (inferior a 1 μm), denominadas de “fuligem ou soot” e de uma parcela preponderante de partículas maiores (de até 100 μm, aproximadamente), denominadas de “coque ou coke”. O MP na atmosfera é prejudicial ao meio ambiente, podendo causar no homem doenças respiratórias. Os órgãos ambientais nacionais possuem estações de monitoramento atmosférico e legislações que estabelecem padrões de qualidade do ar e de emissão para esse poluente. A emissão de MP pode ser reduzida empregando-se sistemas de limpeza de gases (separadores centrífugos, filtros, lavadores, precipitador eletrostático) ou atuando-se no processo de modo a minimizar a sua formação (ajuste do excesso de ar de combustão, melhora da nebulização do óleo e de sua mistura com o ar na câmara de combustão, emprego de óleo emulsionado, uso de aditivos de combustão - catalisadores e dispersantes de asfaltenos). Essas últimas, podendo ser muito efetivas, vêm sendo investigadas há vários anos pelo Laboratório de Engenharia Térmica (LET) do IPT. Já foram realizados extensos trabalhos experimentais utilizando as fornalhas de testes e a bancada de nebulização do Laboratório. Além disso, a equipe do LET tem ido regularmente às indústrias com sua unidade móvel para levantamento das emissões de MP e demais variáveis do processo de combustão para, em seguida, recomendar e eventualmente implantar medidas que levem à sua redução.

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